Author Topic: Аудио/видео поэзия на разных языках  (Read 2021 times)

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Offline gorji

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  Хотелось бы послушать поэзию на разных языках с переводом и оригинальным текстом.
gorji krut kak nekogda ibo on gorji, ditya Gorjistana

dalai lama xar she chemisa xa-xa-xa © mamachemi

короче, вот такое <a href="http://www.youtube.com/watch?v=8AsXcVdRS8k" target="_blank">http://www.youtube.com/watch?v=8AsXcVdRS8k</a>

нету у вас таких? :(
gorji krut kak nekogda ibo on gorji, ditya Gorjistana

dalai lama xar she chemisa xa-xa-xa © mamachemi

Offline Мечтатель

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"Чёрный человек" Есенина на персидском
<a href="http://www.youtube.com/watch?v=dy_g7j3Rdfc" target="_blank">http://www.youtube.com/watch?v=dy_g7j3Rdfc</a>
Хотел найти видео с "Персидскими мотивами" на фарси, но нету, жаль.

Сербская версия
<a href="http://www.youtube.com/watch?v=uOxErQybW1k" target="_blank">http://www.youtube.com/watch?v=uOxErQybW1k</a>

По-итальянски
<a href="http://www.youtube.com/watch?v=z8Jqm71odM4" target="_blank">http://www.youtube.com/watch?v=z8Jqm71odM4</a>

Сальваторе Квази́модо
(1901 - 1968)
(Италия)

Очень лаконичное стихотворение
"Ed è subito sera"
<a href="http://www.youtube.com/watch?v=eWOHd4mxtOs" target="_blank">http://www.youtube.com/watch?v=eWOHd4mxtOs</a>

Ognuno sta solo sul cuor della terra
trafitto da un raggio di sole:
ed è subito sera.

Песенная поэзия

Лео Ферре
(1916 - 1993)
(Франция, Монако)

"La Mémoire et la mer"
("Ce texte de Léo Ferré est considéré comme l'un de ses plus difficiles à comprendre tant celui-ci fait appel à des images complexes et à des éléments personnels de la vie de l'artiste...")

"...Ô l'ange des plaisirs perdus
Ô rumeurs d'une autre habitude
Mes désirs dès lors ne sont plus
Qu'un chagrin de ma solitude"


Подобрал в современном женском исполнении
<a href="http://www.youtube.com/watch?v=3zDkXlKaLSs" target="_blank">http://www.youtube.com/watch?v=3zDkXlKaLSs</a>



Offline emons

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<a href="http://www.youtube.com/watch?v=O-_7bLPoIoE" target="_blank">http://www.youtube.com/watch?v=O-_7bLPoIoE</a>

Offline Мечтатель

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Алекса Шантич
(1868 - 1924)
(Сербия)

Не слишком глубокая поэзия, но до чего ж красивый язык для русского уха и сердца...

<a href="http://www.youtube.com/watch?v=wr0sDoZkpww" target="_blank">http://www.youtube.com/watch?v=wr0sDoZkpww</a>
I opet mi duša sve o tebi sanja
I kida mi srce i za tobom gine.

Što te nema , što te nema , što te nema

Bog zna gdje si sada i da l' živiš jošte!
Ali dragi spomen negdanje milošte
Kao mlado sunce svu mi dušu moju grije

I ja snova cujem zveket tvojih grivna,
Po licu me tice tvoja kosa divna,
Dok mjesec kroz vrbu cisto srebro lije.

Što te nema, što te nema, što te nema


<a href="http://www.youtube.com/watch?v=sKT5RfNRlGQ" target="_blank">http://www.youtube.com/watch?v=sKT5RfNRlGQ</a>
Ponoć je. Ležim, a sve mislim na te -
U tvojoj bašti ja te vidjeh juče,
Gdje bereš krupne raspukle granate.

Mila kô zlatno nebo pošlje tuče,
U tihu hladu stare kruške one,
Sjede ti djeca i zadaću uče.

Nad šedrvanom leptiri se gone
I sjajne kapi, sa bezbroj rubina,
Rasipaju se, dok polako tone

Jesenje sunce... I kô sa visina
Olovni oblak, po duši mi pade
Najcrnji pokrov bola i gorčina.

I kobna misô moriti me stade:
Što moja nisi, i što smiraj dana
Ne nosi meni zvijezde, no jade?

Što moje bašte ostaše bez grana
I slatka ploda, što rađa i zrije
Na vatri srca?... Gdje su jorgovana

Vijenci plavi?... Gdi je kletva, gdi je?...
Vaj, vjetar huji... a ja mislim na te,
I sve te gledam, kroz suzu što lije,

Gdje bereš slatke, raspukle granate.



Мирослав Антич
(1932 - 1986)
(Сербия)

<a href="http://www.youtube.com/watch?v=AST_PUnxf3E" target="_blank">http://www.youtube.com/watch?v=AST_PUnxf3E</a>
<a href="http://www.youtube.com/watch?v=9lQDMJO5XUw" target="_blank">http://www.youtube.com/watch?v=9lQDMJO5XUw</a>

Шарль Бодлер
(1821 - 1867)
(Франция)

<a href="http://www.youtube.com/watch?v=6IE6JDIcP28" target="_blank">http://www.youtube.com/watch?v=6IE6JDIcP28</a>
J'aime de vos longs yeux la lumière verdâtre,
Douce beauté, mais tout aujourd'hui m'est amer,
Et rien, ni votre amour, ni le boudoir, ni l'âtre,
Ne me vaut le soleil rayonnant sur la mer.

Et pourtant aimez-moi, tendre coeur ! soyez mère,
Même pour un ingrat, même pour un méchant ;
Amante ou soeur, soyez la douceur éphémère
D'un glorieux automne ou d'un soleil couchant.

Courte tâche ! La tombe attend ; elle est avide !
Ah ! laissez-moi, mon front posé sur vos genoux,
Goûter, en regrettant l'été blanc et torride,
De l'arrière-saison le rayon jaune et doux !

Пьер де Ронсар
(1524 - 1585)
(Франция)

<a href="http://www.youtube.com/watch?v=fLjAFvBwlyk" target="_blank">http://www.youtube.com/watch?v=fLjAFvBwlyk</a>
Mignonne, allons voir si la rose
Qui ce matin avoit desclose
Sa robe de pourpre au Soleil,
A point perdu ceste vesprée
Les plis de sa robe pourprée,
Et son teint au vostre pareil.

Las ! voyez comme en peu d'espace,
Mignonne, elle a dessus la place
Las ! las ses beautez laissé cheoir !
Ô vrayment marastre Nature,
Puis qu'une telle fleur ne dure
Que du matin jusques au soir !

Donc, si vous me croyez, mignonne,
Tandis que vostre âge fleuronne
En sa plus verte nouveauté,
Cueillez, cueillez vostre jeunesse :
Comme à ceste fleur la vieillesse
Fera ternir vostre beauté.

Offline chelas

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José Carlos Ary dos Santos (Португалия, 1937-1984).

В исполнении самого автора.

Про "революцию гвоздик" 25 апреля 1975 года.

<a href="http://www.youtube.com/watch?v=x5g5_cQB-9M" target="_blank">http://www.youtube.com/watch?v=x5g5_cQB-9M</a>

As Portas que Abril Abriu
    
Era uma vez um país
onde entre o mar e a guerra
vivia o mais infeliz
dos povos à beira-terra.

Onde entre vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
um povo se debruçava
como um vime de tristeza
sobre um rio onde mirava
a sua própria pobreza.

Era uma vez um país
onde o pão era contado
onde quem tinha a raiz
tinha o fruto arrecadado
onde quem tinha o dinheiro
tinha o operário algemado
onde suava o ceifeiro
que dormia com o gado
onde tossia o mineiro
em Aljustrel ajustado
onde morria primeiro
quem nascia desgraçado.


Era uma vez um país
de tal maneira explorado
pelos consórcios fabris
pelo mando acumulado
pelas ideias nazis
pelo dinheiro estragado
pelo dobrar da cerviz
pelo trabalho amarrado
que até hoje já se diz
que nos tempos do passado
se chamava esse país
Portugal suicidado.

Ali nas vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
vivia um povo tão pobre
que partia para a guerra
para encher quem estava podre
de comer a sua terra.

Um povo que era levado
para Angola nos porões
um povo que era tratado
como a arma dos patrões
um povo que era obrigado
a matar por suas mãos
sem saber que um bom soldado
nunca fere os seus irmãos.

Ora passou-se porém
que dentro de um povo escravo
alguém que lhe queria bem
um dia plantou um cravo.

Era a semente da esperança
feita de força e vontade
era ainda uma criança
mas já era a liberdade.

Era já uma promessa
era a força da razão
do coração à cabeça
da cabeça ao coração.
Quem o fez era soldado
homem novo capitão
mas também tinha a seu lado
muitos homens na prisão.

Esses que tinham lutado
a defender um irmão
esses que tinham passado
o horror da solidão
esses que tinham jurado
sobre uma côdea de pão
ver o povo libertado
do terror da opressão.

Não tinham armas é certo
mas tinham toda a razão
quando um homem morre perto
tem de haver distanciação

uma pistola guardada
nas dobras da sua opção
uma bala disparada
contra a sua própria mão
e uma força perseguida
que na escolha do mais forte
faz com que a força da vida
seja maior do que a morte.

Quem o fez era soldado
homem novo capitão
mas também tinha a seu lado
muitos homens na prisão.

Posta a semente do cravo
começou a floração
do capitão ao soldado
do soldado ao capitão.

Foi então que o povo armado
percebeu qual a razão
porque o povo despojado
lhe punha as armas na mão.

Pois também ele humilhado
em sua própria grandeza
era soldado forçado
contra a pátria portuguesa.

Era preso e exilado
e no seu próprio país
muitas vezes estrangulado
pelos generais senis.

Capitão que não comanda
não pode ficar calado
é o povo que lhe manda
ser capitão revoltado
é o povo que lhe diz
que não ceda e não hesite
– pode nascer um país
do ventre duma chaimite.

Porque a força bem empregue
contra a posição contrária
nunca oprime nem persegue
– é força revolucionária!

Foi então que Abril abriu
as portas da claridade
e a nossa gente invadiu
a sua própria cidade.

Disse a primeira palavra
na madrugada serena
um poeta que cantava
o povo é quem mais ordena.

E então por vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
desceram homens sem medo
marujos soldados «páras»
que não queriam o degredo
dum povo que se separa.
E chegaram à cidade
onde os monstros se acoitavam
era a hora da verdade
para as hienas que mandavam
a hora da claridade
para os sóis que despontavam
e a hora da vontade
para os homens que lutavam.

Em idas vindas esperas
encontros esquinas e praças
não se pouparam as feras
arrancaram-se as mordaças
e o povo saiu à rua
com sete pedras na mão
e uma pedra de lua
no lugar do coração.

Dizia soldado amigo
meu camarada e irmão
este povo está contigo
nascemos do mesmo chão
trazemos a mesma chama
temos a mesma ração
dormimos na mesma cama
comendo do mesmo pão.
Camarada e meu amigo
soldadinho ou capitão
este povo está contigo
a malta dá-te razão.

Foi esta força sem tiros
de antes quebrar que torcer
esta ausência de suspiros
esta fúria de viver
este mar de vozes livres
sempre a crescer a crescer
que das espingardas fez livros
para aprendermos a ler
que dos canhões fez enxadas
para lavrarmos a terra
e das balas disparadas
apenas o fim da guerra.

Foi esta força viril
de antes quebrar que torcer
que em vinte e cinco de Abril f
ez Portugal renascer.

E em Lisboa capital
dos novos mestres de Aviz
o povo de Portugal
deu o poder a quem quis.

Mesmo que tenha passado
às vezes por mãos estranhas
o poder que ali foi dado
saiu das nossas entranhas.
Saiu das vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
onde um povo se curvava
como um vime de tristeza
sobre um rio onde mirava
a sua própria pobreza.

E se esse poder um dia
o quiser roubar alguém
não fica na burguesia
volta à barriga da mãe.
Volta à barriga da terra
que em boa hora o pariu
agora ninguém mais cerra
as portas que Abril abriu.

Essas portas que em Caxias
se escancararam de vez
essas janelas vazias
que se encheram outra vez
e essas celas tão frias
tão cheias de sordidez
que espreitavam como espias
todo o povo português.

Agora que já floriu
a esperança na nossa terra
as portas que Abril abriu
nunca mais ninguém as cerra.

Contra tudo o que era velho
levantado como um punho
em Maio surgiu vermelho
o cravo do mês de Junho.

Quando o povo desfilou
nas ruas em procissão
de novo se processou
a própria revolução.

Mas eram olhos as balas
abraços punhais e lanças
enamoradas as alas
dos soldados e crianças.

E o grito que foi ouvido
tantas vezes repetido
dizia que o povo unido
jamais seria vencido.

Contra tudo o que era velho
levantado como um punho
em Maio surgiu vermelho
o cravo do mês de Junho.

E então operários mineiros
pescadores e ganhões
marçanos e carpinteiros
empregados dos balcões
mulheres a dias pedreiros
reformados sem pensões
dactilógrafos carteiros
e outras muitas profissões
souberam que o seu dinheiro
era presa dos patrões.

A seu lado também estavam
jornalistas que escreviam
actores que se desdobravam
cientistas que aprendiam
poetas que estrebuchavam
cantores que não se vendiam
mas enquanto estes lutavam
é certo que não sentiam
a fome com que apertavam
os cintos dos que os ouviam.

Porém cantar é ternura
escrever constrói liberdade
e não há coisa mais pura
do que dizer a verdade.

E uns e outros irmanados
na mesma luta de ideais
ambos sectores explorados
ficaram partes iguais.

Entanto não descansavam
entre pragas e perjúrios
agulhas que se espetavam
silêncios boatos murmúrios
risinhos que se calavam
palácios contra tugúrios
fortunas que levantavam
promessas de maus augúrios
os que em vida se enterravam
por serem falsos e espúrios
maiorais da minoria
que diziam silenciosa
e que em silêncio fazia
a coisa mais horrorosa:
minar como um sinapismo
e com ordenados régios
o alvor do socialismo
e o fim dos privilégios.

Foi então se bem vos lembro
que sucedeu a vindima
quando pisámos Setembro
a verdade veio acima.

E foi um mosto tão forte
que sabia tanto a Abril
que nem o medo da morte
nos fez voltar ao redil.

Ali ficámos de pé
juntos soldados e povo
para mostrarmos como é
que se faz um país novo.

Ali dissemos não passa!
E a reacção não passou.
Quem já viveu a desgraça
odeia a quem desgraçou.

Foi a força do Outono
mais forte que a Primavera
que trouxe os homens sem dono
de que o povo estava à espera.

Foi a força dos mineiros
pescadores e ganhões
operários e carpinteiros
empregados dos balcões
mulheres a dias pedreiros
reformados sem pensões
dactilógrafos carteiros
e outras muitas profissões
que deu o poder cimeiro
a quem não queria patrões.

Desde esse dia em que todos
nós repartimos o pão
é que acabaram os bodos
— cumpriu-se a revolução.

Porém em quintas vivendas
palácios e palacetes
os generais com prebendas
caciques e cacetetes
os que montavam cavalos
para caçarem veados
os que davam dois estalos
na cara dos empregados
os que tinham bons amigos
no consórcio dos sabões
e coçavam os umbigos
como quem coça os galões
os generais subalternos
que aceitavam os patrões
os generais inimigos
os generais garanhões
teciam teias de aranha
e eram mais camaleões
que a lombriga que se amanha
com os próprios cagalhões.
Com generais desta apanha
já não há revoluções.

Por isso o onze de Março
foi um baile de Tartufos
uma alternância de terços
entre ricaços e bufos.

E tivemos de pagar
com o sangue de um soldado
o preço de já não estar
Portugal suicidado.

Fugiram como cobardes
e para terras de Espanha
os que faziam alardes
dos combates em campanha.

E aqui ficaram de pé
capitães de pedra e cal
os homens que na Guiné
aprenderam Portugal.

Os tais homens que sentiram
que um animal racional
opõe àqueles que o firam
consciência nacional.

Os tais homens que souberam
fazer a revolução
porque na guerra entenderam
o que era a libertação.

Os que viram claramente
e com os cinco sentidos
morrer tanta tanta gente
que todos ficaram vivos.

Os tais homens feitos de aço
temperado com a tristeza
que envolveram num abraço
toda a história portuguesa.

Essa história tão bonita
e depois tão maltratada
por quem herdou a desdita
da história colonizada.

Dai ao povo o que é do povo
pois o mar não tem patrões.
– Não havia estado novo
nos poemas de Camões!

Havia sim a lonjura
e uma vela desfraldada
para levar a ternura
à distância imaginada.

Foi este lado da história
que os capitães descobriram
que ficará na memória
das naus que de Abril partiram

das naves que transportaram
o nosso abraço profundo
aos povos que agora deram
novos países ao mundo.

Por saberem como é
ficaram de pedra e cal
capitães que na Guiné
descobriram Portugal.

E em sua pátria fizeram
o que deviam fazer:
ao seu povo devolveram
o que o povo tinha a haver:
Bancos seguros petróleos
que ficarão a render
ao invés dos monopólios
para o trabalho crescer.
Guindastes portos navios
e outras coisas para erguer
antenas centrais e fios
dum país que vai nascer.

Mesmo que seja com frio
é preciso é aquecer
pensar que somos um rio
que vai dar onde quiser

pensar que somos um mar
que nunca mais tem fronteiras
e havemos de navegar
de muitíssimas maneiras.

No Minho com pés de linho
no Alentejo com pão
no Ribatejo com vinho
na Beira com requeijão
e trocando agora as voltas
ao vira da produção
no Alentejo bolotas
no Algarve maçapão
vindimas no Alto Douro
tomates em Azeitão
azeite da cor do ouro
que é verde ao pé do Fundão
e fica amarelo puro
nos campos do Baleizão.
Quando a terra for do povo
o povo deita-lhe a mão!

É isto a reforma agrária
em sua própria expressão:
a maneira mais primária
de que nós temos um quinhão
da semente proletária
da nossa revolução.

Quem a fez era soldado
homem novo capitão
mas também tinha a seu lado
muitos homens na prisão.

De tudo o que Abril abriu
ainda pouco se disse
um menino que sorriu
uma porta que se abrisse
um fruto que se expandiu
um pão que se repartisse
um capitão que seguiu
o que a história lhe predisse
e entre vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
um povo que levantava
sobre um rio de pobreza
a bandeira em que ondulava
a sua própria grandeza!
De tudo o que Abril abriu
ainda pouco se disse
e só nos faltava agora
que este Abril não se cumprisse.
Só nos faltava que os cães
viessem ferrar o dente
na carne dos capitães
que se arriscaram na frente.

Na frente de todos nós
povo soberano e total
que ao mesmo tempo é a voz
e o braço de Portugal.

Ouvi banqueiros fascistas
agiotas do lazer
latifundiários machistas
balofos verbos de encher
e outras coisas em istas
que não cabe dizer aqui
que aos capitães progressistas
o povo deu o poder!
E se esse poder um dia
o quiser roubar alguém
não fica na burguesia
volta à barriga da mãe!
Volta à barriga da terra
que em boa hora o pariu
agora ninguém mais cerra
as portas que Abril abriu!

Lisboa, Julho-Agosto de 1975

ردينة مصطفى الفيلالي (арабская поэтесса Rodaina Mostafa el Filâli, Ливия, род. в 1981 г.)

أنا ﻭﺍﻟﻤﻄﺮ ("Я и дождь")

В исполнении автора, как я понимаю.

<a href="http://www.youtube.com/watch?v=tFltnecjYfU" target="_blank">http://www.youtube.com/watch?v=tFltnecjYfU</a>

ﺃﻧﺎ ﻭﺍﻟﻤﻄﺮ
ﻋﻠﻰ ﻧﺎﻓﺬﺗﻲ ﺳﻤﻌﺖ ﻧﻘﺮ
ﺍﻟﻤﻄﺮ
ﻳﻬﻤﺴﻨﻲ ﻣﻮﻻﺗﻲ ﺣﺎﻥ ﻭﻗﺖ
ﺍﻟﺴﻬﺮ
ﺇﻧﺰﻋﻲ ﻋﻨﻚ ﻣﻼﺑﺲ ﺍﻟﻀﺠﺮ
ﺍﻟﺸﻮﻕ ﻳﻨﺎﺩﻳﻚ ﻭﺍﻟﺮﻳﺢ
ﺗﺼﺎﺭﻉ ﺍﻟﺸﺠﺮ
ﻭﺫﺍﻙ ﺍﻟﺸﺎﺭﻉ ﺍﻟﻤﺎﻃﺮ ﻣﻦ
ﺍﻟﻮﺣﺪﺓ ﺳﺌﻢ ﻭﺍﻧﺘﺤﺮ
ﺷﻲﺀ ﻳﺤﺘﻠﻨﻲ ﻳﺴﺘﺪﻋﻲ ﻣﻦ
ﺍﻷﻋﻤﺎﻕ ﺟﻨﻮﻥ ﺍﻟﺒﺸﺮ
ﻛﻞ ﺷﻲﺀ ﺣﻮﻟﻲ ﻳﺴﺘﻄﻌﻢ
ﺍﻟﻌﺸﻖ ﻳﺘﻠﺬﺫ ﺑﺎﻟﺴﻬﺮ
ﺍﻟﻠﻴﻞ ﻳﻘﺒﻞ ﺍﻟﻘﻤﺮ، ﺍﻟﺮﻳﺢ
ﺗﻐﺎﺯﻝ ﺍﻟﺸﺠﺮ
ﺍﻟﺸﻤﺲ ﺗﺼﺎﺩﻕ ﺍﻟﺴﺤﺮ
ﻭﺃﻧﺎ . . . ﺃﻧﺎ ﺃﺑﺤﺚ ﺧﻠﻒ ﺍﻷﺛﺮ
ﻋﻦ ﺭﺟﻞ ﺳﺮﻗﻪ ﻣﻨﻲ ﺍﻟﻘﺪﺭ
ﻭﻳﺤﺎ ﻟﺬﺍﻙ ﺍﻟﻨﻘﺮ ﺍﻟﻠﻌﻴﻦ
ﺍﻟﺬﻱ ﻳﺬﻛﺮﻧﻲ ﺑﺸﻔﺘﻴﻚ
ﻟﺤﻈﺔ ﺍﻟﺤﻨﻴﻦ
ﻣﺰﻕ ﺟﺮﻭﺣﺎ ﻛﺎﺩﺕ ﺗﺨﻴﻄﻬﺎ
ﺍﻟﺴﻨﻴﻦ
ﻭﻗﻔﺖ ﺑﺠﻮﺍﺭ ﻧﺎﻓﺬﺗﻲ ﻭﻗﻔﺔ
ﺍﻟﻤﺴﺎﻛﻴﻦ
ﺃﺣﺴﺪﻫﺎ ﻷﻥ ﺍﻟﻤﻄﺮ ﺃﻭﻓﻰ ﻣﻦ
ﺍﻟﻤﺤﺒﻴﻦ
ﺇﻗﺘﺮﺑﺖ ﻭﻓﻲ ﻋﻴﻨﻲ ﻧﻈﺮﺓ
ﺍﻟﺤﺎﺳﺪﻳﻦ
ﻓﺎﻟﻤﻄﺮ ﻳﺤﺒﻬﺎ ﺣﺒﺎ ﻟﻢ
ﻳﻌﺮﻓﻪ ﺍﻟﻤﻐﺮﻣﻮﻥ
ﺣﺒﺎ ﺭﺑﺎﻧﻴﺎ ﻟﻢ ﺗﻜﺘﺒﻪ
ﺍﻟﺪﻭﺍﻭﻳﻦ
ﻳﺤﺎﻭﺭﻫﺎ ﺑﻨﻌﻮﻣﺔ ﺍﻟﻴﺎﺳﻤﻴﻦ
ﻳﻨﺴﺎﺏ ﻋﻠﻴﻬﺎ ﺑﻬﻤﺲ
ﺍﻟﺨﺎﺷﻌﻴﻦ
ﺣﺒﻴﺒﻲ ﻃﻔﻠﺘﻚ ﺑﺎﺗﺖ ﻣﻼﻣﺢ
ﺑﺎﻛﻴﺔ
ﺗﺠﻮﺏ ﺍﻷﺯﻗﺔ ﺍﻟﺸﺎﺗﻴﺔ
ﺗﻠﺒﺲ ﻛﻞ ﺷﻲﺀ ﻟﻜﻨﻬﺎ
ﻋﺎﺭﻳﺔ
ﺗﺒﺤﺚ ﺑﻴﻦ ﺍﻟﺴﻔﻦ ﺍﻟﺮﺍﺳﻴﺔ
ﻋﻦ ﺭﺟﻞ ﻟﻪ ﻋﻴﻮﻥ ﻋﺎﺗﻴﺔ
ﻳﺴﺮﻕ ﺍﻟﻌﻤﺮ ﺑﻘﺒﻠﺔ ﺩﺍﻓﺌﺔ
ﻳﺒﺤﺮ ﺑﻲ ﺇﻟﻰ ﺟﺰﻳﺮﺓ ﻧﺎﺋﻴﺔ
ﺣﺒﻴﺒﻲ ﻟﻢ ﺗﺮﻛﺘﻨﻲ ﺃﺭﻛﺾ
ﺧﻠﻒ ﺍﻷﻣﻄﺎﺭ
ﻟﻢ ﻟﻢ ﻧﻜﻤﻞ ﻣﻌﺎ ﺩﺭﺑﻨﺎ
ﻭﺍﻟﻤﺸﻮﺍﺭ
ﻓﻴﻪ ﺟﻨﻮﻥ ﻋﺸﻖ ﻃﺮﺏ ﻭﺟﻊ
ﻭﺃﺷﻌﺎﺭ
ﻧﻘﺮﺍﺗﻚ ﻋﻠﻰ ﺟﺴﺪﻱ ﺗﺤﻤﻞ
ﺷﻴﺌﺎ ﻣﻦ ﺍﻷﺳﺮﺍﺭ
ﻛﺘﻠﻚ ﺍﻟﺘﻲ ﺗﺤﻤﻠﻬﺎ ﺭﺍﺋﺤﺔ
ﺍﻷﺯﻫﺎﺭ
ﺃﻭ ﺗﻠﻚ ﺍﻟﺘﻲ ﻳﺤﻤﻠﻬﺎ ﺍﻟﺤﺐ
ﺣﻴﻦ ﻳﻨﻬﺎﺭ
ﺷﻲﺀ ﻳﺸﺒﻪ ﻧﻀﺎﻝ ﺍﻷﺣﺮﺍﺭ ،
ﻛﺤﻮﺍﺭ ﺍﻟﻨﺎﻓﺬﺓ ﻭﺍﻷﻣﻄﺎﺭ
ﺃﺟﻤﻞ ﻣﺎ ﻓﻴﻬﺎ ﺃﻧﻬﺎ ﺳﺘﺒﻘﻰ
ﻋﻠﻰ ﺟﺴﺪﻱ ﻧﻮﺭﺍ ﻭﻧﺎﺭ
ﺃﻣﻮﺍﺟﺎ ﻓﻲ ﻟﻴﻠﺔ ﻋﺸﻖ
ﺗﺤﻄﻤﺖ ﻓﻲ ﻭﺟﻪ ﺍﻷﺣﺠﺎﺭ
ﺳﺄﺫﻛﺮﻫﺎ ﺇﻥ ﺭﺃﻳﺘﻚ ﺗﻤﺰﻕ
ﺍﻟﻨﺺ ﻭﺗﺴﺘﺒﺪﻝ ﺍﻷﺩﻭﺍﺭ
ﻭﺃﺩﻓﻨﻬﺎ ﺇﻥ ﺍﺣﺘﺞ ﺍﻟﺠﻤﻬﻮﺭ ﻭ
ﺻﻔﻘﺖ ﺍﻷﻗﺪﺍﺭ

Vinícius de Moraes (Бразилия, 1913-1980).

Para uma menina com uma flor ("Девочке с цветком")

Свободный стих (верлибр).

<a href="http://www.youtube.com/watch?v=Wo8PTdLzO9Y" target="_blank">http://www.youtube.com/watch?v=Wo8PTdLzO9Y</a>

Porque você é uma menina com uma flor e tem uma voz que não sai, eu lhe prometo amor eterno, salvo se você bater pino, que aliás você não vai nunca porque você acorda tarde, tem um ar recuado e gosta de brigadeiro: quero dizer, o doce feito com leite condensado.

E porque você é uma menina com uma flor e chorou na estação de Roma porque nossas malas seguiram sozinhas para Paris e você ficou morrendo de pena delas partindo assim no meio de todas aquelas malas estrangeiras. E porque você quando sonha que eu estou passando você para trás, transfere sua d.d.c. para o meu cotidiano e implica comigo o dia inteiro como se eu tivesse culpa de você ser assim tão subliminar. E porque quando você começou a gostar de mim procurava saber por todos os modos com que camisa esporte eu ia sair para fazer mimetismo de amor, se vestindo parecido. E porque você tem um rosto que está sempre num nicho, mesmo quando põe o cabelo para cima, como uma santa moderna, e anda lento, a fala em 33 rotações mas sem ficar chata. E porque você é uma menina com uma flor, eu lhe predigo muitos anos de felicidade, pelo menos até eu ficar velho: mas só quando eu der aquela paradinha marota para olhar para trás, aí você pode se mandar, eu compreendo.

E porque você é uma menina com uma flor e tem um andar de pajem medieval; e porque você quando canta nem um mosquito ouve a sua voz, e você desafina lindo e logo conserta, e às vezes acorda no meio da noite e fica cantando feito uma maluca. E porque você tem um ursinho chamado Nounouse e fala mal de mim para ele, e ele escuta mas não concorda porque é muito meu chapa, e quando você se sente perdida e sozinha no mundo você se deita agarrada com ele e chora feito uma boba fazendo um bico deste tamanho. E porque você é uma menina que não pisca nunca e seus olhos foram feitos na primeira noite da Criação, e você é capaz de ficar me olhando horas. E porque você é uma menina que tem medo de ver a Cara- na-Vidraça, e quando eu olho você muito tempo você vai ficando nervosa até eu dizer que estou brincando. E porque você é uma menina com uma flor e cativou meu coração e adora purê de batata, eu lhe peço que me sagre seu Constante e Fiel Cavalheiro.

E sendo você uma menina com uma flor, eu lhe peço também que nunca mais me deixe sozinho, como nesse último mês em Paris; fica tudo uma rua silenciosa e escura que não vai dar em lugar nenhum; os móveis ficam parados me olhando com pena; é um vazio tão grande que as outras mulheres nem ousam me amar porque dariam tudo para ter um poeta penando assim por elas, a mão no queixo, a perna cruzada triste e aquele olhar que não vê. E porque você é a única menina com uma flor que eu conheço, eu escrevi uma canção tão bonita para você, "Minha namorada", a fim de que, quando eu morrer, você se por acaso não morrer também, fique deitadinha abraçada com Nounouse, cantando sem voz aquele pedaço em que eu digo que você tem de ser a estrela derradeira, minha amiga e companheira, no infinito de nós dois.

E já que você é uma menina com uma flor e eu estou vendo você subir agora - tão purinha entre as marias-sem-vergonha - a ladeira que traz ao nosso chalé, aqui nestas montanhas recortadas pela mão presciente de Guignard; e o meu coração, como quando você me disse que me amava, põe-se a bater cada vez mais depressa. E porque eu me levanto para recolher você no meu abraço, e o mato à nossa volta se faz murmuroso e se enche de vaga-lumes enquanto a noite desce com seus segredos, suas mortes, seus espantos - eu sei, ah, eu sei que o meu amor por você é feito de todos os amores que eu já tive, e você é a filha dileta de todas as mulheres que eu amei; e que todas as mulheres que eu amei, como tristes estátuas ao longo da aléia de um jardim noturno, foram passando você de mão em mão, de mão em mão até mim, cuspindo no seu rosto e enfeitando a sua fronte de grinaldas; foram passando você até mim entre cantos, súplicas e vociferações - porque você é linda, porque você é meiga e sobretudo porque você é uma menina com uma flor.

Владимир Маяковский, "Ну, что ж!" на португальском в исполнении бразильца.

<a href="http://www.youtube.com/watch?v=F5s6yqL4lgU" target="_blank">http://www.youtube.com/watch?v=F5s6yqL4lgU</a>

Португальский текст:

E Então, Que Quereis...?

Fiz ranger as folhas de jornal
Abrindo-lhes as pálpebras piscantes.
E logo
De cada fronteira distante
Subiu um cheiro de pólvora
Perseguindo-me até em casa.
Nestes últimos vinte anos
Nada de novo há
No rugir das tempestades
Não estamos alegres,
É certo,
Mas também por que razão
Haveríamos de ficar tristes?
O mar da história
É agitado.
As ameaças
E as guerras
Havemos de atravessá-las.
Rompê-las ao meio,
Cortando-as
Como uma quilha corta
As ondas


Русский текст:

Ну, что ж!

Раскрыл я
с тихим шорохом
глаза страниц...
И потянуло
порохом
от всех границ.
Не вновь,
которым за двадцать,
в грозе расти.
Нам не с чего
радоваться,
но нечего
грустить.
Бурна вода истории.
Угрозы
и войну
мы взрежем
на просторе,
как режет
киль волну.

1927

Fernando Pessoa (Португалия, 1888-1935).
Mar português ("Португальское море"), в исполнении бразильца.

С переводами на белорусский (красивый) и русский (плохой).

<a href="http://www.youtube.com/watch?v=WWaNwrPJERM" target="_blank">http://www.youtube.com/watch?v=WWaNwrPJERM</a>

Португальский текст:

Mar português

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.


Перевод на белорусский (Ганна Янкута):

Партугальскае мора

О салёнае мора, наш вечны палон!
Соль твая — партугальскія слёзы здавён.
Плачуць маці — скараюць сыны далягляд,
Плачуць дзеці — не вернуцца бацькі назад,
І нявесты — бо спяць у прадоннях марскіх
Заваёўнікі мора — каханыя іх.

Сэнс у гэтых ахвярах тады толькі ёсць,
Калі ў душах — прастораў марскіх прыгажосць.
Толькі той, хто мінае апошні парог,
Боль спазнаўшы найгоршы, яго перамог.
Хай знаходзім у моры мы вечны спакой —
Ды нябёсы люструюцца ў хвалі марской.


Перевод на русский (Евгений Витковский):

Португальское море

О соленого моря седая волна,
От слезы Португалии ты солона!
Следы лить матерям суждено в три ручья,
Ибо в море уходят навек сыновья,
И невестам уже не увидеть венца -
Все затем, чтоб тебя покорить до конца!

А к чему? Жертвы только тогда хороши,
Если есть настоящая ширь у души.
Кто отринет скорбей сухопутных юдоль -
Тот морскую познает, великую боль.
Ты искусно, о море, в коварной волшбе,
Но зато отражается небо в тебе!

Fernando Pessoa (Португалия, 1888-1935).

O Infante, в исполнении бразильца.

(с переводом на русский)

<a href="http://www.youtube.com/watch?v=FI7mMa31jC0" target="_blank">http://www.youtube.com/watch?v=FI7mMa31jC0</a>

O Infante

Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.
Deus quis que a terra fosse toda uma,
Que o mar unisse, já não separasse.
Sagrou-te, e foste desvendando a espuma.

E a orla branca foi de ilha em continente,
Clareou, correndo, até ao fim do mundo,
E viu-se a terra inteira, de repente,
Surgir, redonda, do azul profundo.

Quem te sagrou criou-te português.
Do mar e nós em ti nos deu sinal.
Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez.
Senhor, falta cumprir-se Portugal!


Русский перевод (Ольга Овчаренко):

Инфант

Коль жаждет Бог и человек дерзает,
Великий подвиг будет совершен.
Раз Бог единой землю замышляет,
Твой парус славой осеняет Он.

Весь шар земной, лучами осиянный,
Смятенные узрели моряки,
Когда разъялся занавес туманный
И встретились средь волн материки.

Когда-то Бог, нас знаменьем даря,
Явил в тебе предвестье наших сил.
С империей утрачены моря -
Господь о Португалии забыл.

Владимир Набоков читает свое стихотворение "К моей юности" сначала в собственном переводе на английский, потом в оригинале на русском.

<a href="http://www.youtube.com/watch?v=QyAEZOB6vzo" target="_blank">http://www.youtube.com/watch?v=QyAEZOB6vzo</a>

To my youth

We used to believe so firmly, you and I, in the unity of existence;
but now I glance back - and it is astounding -
how impersonal in color, how unreal in pattern,
you have become, my youth.

When one examines the matter it is like the haze of the wave
between me and you, between the shallows and the drowning;
or else I see a receding highway and you from behind,
as you pedal right into the sunset on your semiracer.

You are no more myself, you are a mere outline,
the subject of any first chapter, but how long we believed
in the oneness of the way
from the damp gorge to the mountain heather.


К моей юности

Мы с тобою так верили в связь бытия,
но теперь оглянулся я, и удивительно,
до чего ты мне кажешься, юность моя,
по цветам не моей, по чертам недействительной.

Если вдуматься, это как дымка волны
между мной и тобой, между мелью и тонущим;
или вижу столбы и тебя со спины,
как ты прямо в закат на своем полугоночном.

Ты давно уж не я, ты набросок, герой
всякой первой главы, а как долго нам верилось
в непрерывность пути от ложбины сырой
до нагорного вереска.


Offline Мечтатель

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Странное дело... Английский стабильно не нравится, но когда-то так нравилось звучание португальского. Куда что делось.

Ну ладно, пока ещё не было ничего испаноязычного.

Хуан Рамон Хименес
(1881 - 1958)
(Испания)

Одно из известнейших стихотворений Хименеса. Даже у Кастанеды оно приводится (в "Путешествии в Икстлан")
<a href="http://www.youtube.com/watch?v=6uqUxzzpbJM" target="_blank">http://www.youtube.com/watch?v=6uqUxzzpbJM</a>
Y yo me iré. Y se quedarán los pájaros
cantando.
Y se quedará mi huerto con su verde árbol,
y con su pozo blanco.

Todas las tardes el cielo será azul y plácido,
y tocarán, como esta tarde están tocando,
las campanas del campanario.

Se morirán aquellos que me amaron
y el pueblo se hará nuevo cada año;
y lejos del bullicio distinto, sordo, raro
del domingo cerrado,
del coche de las cinco, de las siestas del baño,
en el rincón secreto de mi huerto florido y encalado,
mi espíritu de hoy errará, nostáljico...

Y yo me iré, y seré otro, sin hogar, sin árbol
verde, sin pozo blanco,
sin cielo azul y plácido...
Y se quedarán los pájaros cantando.

Хуана де Ибарбуру
(1892 - 1979)
(Уругвай)

Эта поэтесса меня когда-то очаровала.
"...Que entonces inútil será tu deseo,
como ofrenda puesta sobre un mausoleo."


Поэзию на испанском языке лучше слушать в виде песен. Не так грубо звучит.
<a href="http://www.youtube.com/watch?v=fl7WVrAYATU" target="_blank">http://www.youtube.com/watch?v=fl7WVrAYATU</a>
Tómame ahora que aún es temprano
y que llevo dalias nuevas en la mano.

Tómame ahora que aún es sombría
esta taciturna cabellera mía.

Ahora que tengo la carne olorosa
y los ojos limpios y la piel de rosa.

Ahora que calza mi planta ligera
la sandalia viva de la primavera.

Ahora que en mis labios repica la risa
como una campana sacudida a prisa.

Después..., ¡ah, yo sé
que ya nada de eso más tarde tendré!

Que entonces inútil será tu deseo,
como ofrenda puesta sobre un mausoleo.

¡Tómame ahora que aún es temprano
y que tengo rica de nardos la mano!

Hoy, y no más tarde. Antes que anochezca
y se vuelva mustia la corola fresca.

Hoy, y no mañana. ¡Oh amante! ¿no ves
que la enredadera crecerá ciprés?


Offline chelas

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Rafael Alberti (Испания, 1902-1999)
A galopar

Декламация автором, затем исполнение песни на стихи певцом Paco Ibáñez.

Потом они поют вместе, когда Paco Ibáñez предлагает:
"Ahora os propongo que cantemos esta letra juntos y que salgamos de aquí galopando. Y Rafael también va a cantar". Но петь у 89-летнего Рафаэля получается уже не особо.

<a href="http://www.youtube.com/watch?v=15JfnrqBqSI" target="_blank">http://www.youtube.com/watch?v=15JfnrqBqSI</a>

A galopar

Las tierras, las tierras, las tierras de España,
las grandes, las solas, desiertas llanuras.
Galopa, caballo cuatralbo,
jinete del pueblo,
al sol y a la luna.

¡A galopar,
a galopar,
hasta enterrarlos en el mar!

A corazón suenan, resuenan, resuenan
las tierras de España, en las herraduras.
Galopa, jinete del pueblo,
caballo cuatralbo,
caballo de espuma.

¡A galopar,
a galopar,
hasta enterrarlos en el mar!

Nadie, nadie, nadie, que enfrente no hay nadie;
que es nadie la muerte si va en tu montura.
Galopa, caballo cuatralbo,
jinete del pueblo,
que la tierra es tuya.

¡A galopar,
a galopar,
hasta enterrarlos en el mar!

José Agustín Goytisolo (Испания, 1928-1999).
Palabras para Julia.

Сначала в исполнении автора (не очень впечатляет):

<a href="http://www.youtube.com/watch?v=9LXugbHRvUg" target="_blank">http://www.youtube.com/watch?v=9LXugbHRvUg</a>

Затем песня в исполнении уже упомянутого выше Paco Ibáñez (красиво):

<a href="http://www.youtube.com/watch?v=C7Zsb0Y8Tpg" target="_blank">http://www.youtube.com/watch?v=C7Zsb0Y8Tpg</a>

PALABRAS PARA JULIA

Tú no puedes volver atrás
porque la vida ya te empuja
como un aullido interminable.

Hija mía es mejor vivir
con la alegría de los hombres
que llorar ante el muro ciego.

Te sentirás acorralada
te sentirás perdida o sola
tal vez querrás no haber nacido.

Yo sé muy bien que te dirán
que la vida no tiene objeto
que es un asunto desgraciado.

Entonces siempre acuérdate
de lo que un día yo escribí
pensando en ti como ahora pienso.

La vida es bella, ya verás
como a pesar de los pesares
tendrás amigos, tendrás amor.

Un hombre solo, una mujer
así tomados, de uno en uno
son como polvo, no son nada.

Pero yo cuando te hablo a ti
cuando te escribo estas palabras
pienso también en otra gente.

Tu destino está en los demás
tu futuro es tu propia vida
tu dignidad es la de todos.

Otros esperan que resistas
que les ayude tu alegría
tu canción entre sus canciones.

Entonces siempre acuérdate
de lo que un día yo escribí
pensando en ti
como ahora pienso.

Nunca te entregues ni te apartes
junto al camino, nunca digas
no puedo más y aquí me quedo.

La vida es bella, tú verás
como a pesar de los pesares
tendrás amor, tendrás amigos.

Por lo demás no hay elección
y este mundo tal como es
será todo tu patrimonio.

Perdóname no sé decirte
nada más pero tú comprende
que yo aún estoy en el camino.

Y siempre siempre acuérdate
de lo que un día yo escribí
pensando en ti como ahora pienso.

1992

Federico García Lorca
New York (Oficina y denuncia) --- Нью-Йорк (Опись и обвинение)

С переводом на русский.

Мои любимые строки из перевода:

И от жуткого вопля коров, раздавленных прессом, боль висит над долиной.

Святой Игнатий Лойола однажды убил крольчонка, и губами его доныне стенают церковные башни.

Это не ад, это просто проулок. Это не смерть, это просто фруктовая лавка.

Декламация некоего César Gómez:

<a href="http://www.youtube.com/watch?v=zQLQVuUeq_Q" target="_blank">http://www.youtube.com/watch?v=zQLQVuUeq_Q</a>

Песня Nilda Fernández (пение сочетается с декламацией, порядок строк иногда изменен):

http://jail.mp2.macomnet.net/10-new_york_officina_y_denuncia.mp3

Испанский текст:

New York (Oficina y denuncia)

A Fernando Vela

Debajo de las multiplicaciones
hay una gota de sangre de pato.
Debajo de las divisiones
hay una gota de sangre de marinero.
Debajo de las sumas, un río de sangre tierna;
un río que viene cantando
por los dormitorios de los arrabales,
y es plata, cemento o brisa
en el alba mentida de New York.
Existen las montañas, lo sé.
Y los anteojos para la sabiduría,
lo sé.  Pero yo no he venido a ver el cielo.
He venido para ver la turbia sangre,
la sangre que lleva las máquinas a las cataratas
y el espíritu a la lengua de la cobra.
Todos los días se matan en New York
cuatro millones de patos,
cinco millones de cerdos,
dos mil palomas para el gusto de los agonizantes,
un millón de vacas,
un millón de corderos
y dos millones de gallos
que dejan los cielos hechos añicos.
Más vale sollozar afilando la navaja
o asesinar a los perros en las alucinantes cacerías
que resistir en la madrugada
los interminables trenes de leche,
los interminables trenes de sangre,
y los trenes de rosas maniatadas
por los comerciantes de perfumes.
Los patos y las palomas
y los cerdos y los corderos
ponen sus gotas de sangre
debajo de las multiplicaciones;
y los terribles alaridos de las vacas estrujadas
llenan de dolor el valle
donde el Hudson se emborracha con aceite.
Yo denuncio a toda la gente
que ignora la otra mitad,
la mitad irredimible
que levanta sus montes de cemento
donde laten los corazones
de los animalitos que se olvidan
y donde caeremos todos
en la última fiesta de los taladros.
Os escupo en la cara.
La otra mitad me escucha
devorando, cantando, volando en su pureza
como los niños en las porterías
que llevan frágiles palitos
a los huecos donde se oxidan
las antenas de los insectos.
No es el infierno, es la calle.
No es la muerte, es la tienda de frutas.
Hay un mundo de ríos quebrados y distancias inasibles
en la patita de ese gato quebrada por el automóvil,
y yo oigo el canto de la lombriz
en el corazón de muchas niñas.
óxido, fermento, tierra estremecida.
Tierra tú mismo que nadas por los números de la oficina.
¿Qué voy a hacer, ordenar los paisajes?
¿Ordenar los amores que luego son fotografías,
que luego son pedazos de madera y bocanadas de sangre?
No, no; yo denuncio,
yo denuncio la conjura
de estas desiertas oficinas
que no radian las agonías,
que borran los programas de la selva,
y me ofrezco a ser comido por las vacas estrujadas
cuando sus gritos llenan el valle
donde el Hudson se emborracha con aceite.

1929-1930


Русский перевод (Б. Дубин):

Нью-Йорк (Опись и обвинение)

В каждом их умножении -
капля утиной крови,
в каждом делении -
капля матросской крови,
а в сумме - целый поток беззащитной крови.
Неумолчный поток, затопляющий
спальни окраин,
обращаясь в бетон, серебро и бриз
на фальшивом нью-йоркском рассвете.
Да, есть горы. Конечно.
Есть телескопы ученых.
Да, конечно. Но я здесь не для того,
                     чтобы видеть небо.
Я здесь для того, чтобы видеть тусклую кровь.
Кровь, которая катит к обрывам,
будя аппетит в гадюке.
Ежедневно в Нью-Йорке гибнет
четыре миллиона уток,
пять миллионов свиней,
две тысячи голубей на завтраки полутрупам,
миллион коров,
миллион ягнят
и два миллиона петухов,
разносящих небо в осколки.
Нет, уж лучше рыдать, оттачивая наваху,
и загонять борзых
в сумасшедшей травле,
чем каждое утро встречать
бесконечный состав с молоком,
бесконечный состав с кровью
и поезда перекрученных намертво роз
для торговцев духами.
Утки, голуби,
свиньи, ягнята
отдают свою кровь
для этих конторских подсчетов,
и от жуткого вопля коров, раздавленных прессом,
боль висит над долиной,
где Гудзон похмеляется нефтью.
Я обвиняю вас всех,
всех, кто забыл о другой половине мира,
неискупленной половине
воздвигших бетонные горы,
где бьются сердца зверят,
которых никто не любит,
и где будем мы все
на последнем пиру дробилок.
Я плюю вам в лицо,
и слышит меня половина мира,
размножаясь, мочась и жуя,
безгрешна, как дети подъездов
с их ненадежной щепкой,
протянутой киснущим в жиже
усикам насекомых.
Это не ад, это просто проулок.
Это не смерть, это просто фруктовая лавка.
Целый мир перерезанных рек
и нехоженых троп
в этой лапке котенка,
расплющенной автомобилем,
и я слышу, как выползки
плачут у девочек в сердце.
Это ржавчина, закись, агония нашей земли.
Это наша земля,
потонувшая в цифрах отчетов.
Что мне делать? Расставить по полочкам виды?
Вставить в рамку любовь, от которой лишь фото,
кровь, пошедшая горлом,
и груда досок?
Святой Игнатий Лойола
однажды убил крольчонка,
и губами его доныне
стенают церковные башни.
Нет, нет и нет, я обвиняю.
Я обвиняю поруку
этих пустых канцелярий,
в которых не слышат агоний
и с кальки стирают леса,
и пусть я пойду на прокорм
раздавленным этим коровам,
чьи вопли висят над долиной,
где Гудзон похмеляется нефтью.

Federico García Lorca
New York (Oficina y denuncia) --- Нью-Йорк (Опись и обвинение)

В испанском тексте оказался пропущен фрагмент про Сан Игнасио Лойолу и крольчонка:

Quote
¿Qué voy a hacer, ordenar los paisajes?
¿Ordenar los amores que luego son fotografías,
que luego son pedazos de madera y bocanadas de sangre?
San Ignacio de Loyola
asesinó un pequeño conejo
y todavía sus labios gimen
por las torres de las iglesias.
Quote
No, no; yo denuncio,
yo denuncio la conjura
de estas desiertas oficinas

 

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